INTRODUÇÃO
Um holograma é o registro da configuração luminosa formada pela interação energética entre ondas de luz coerente,
gravado em material fotossensível, e que, quando iluminado de forma apropriada, projeta uma imagem tridimensional, volumétrica.
Para fazer um holograma é preciso dividir um feixe de luz laser em dois, de forma que uma parte seja modificada pelo objeto e
outra ilumine diretamente o filme, registrando-se a interferência entre os dois feixes. Como os feixes estão sincronizados, essa
interferência forma um finíssimo padrão, muito semelhante ao de ondas que se chocam na superfície da água. Este padrão é capaz
de reconstruir o objeto integralmente quanto aos seus aspectos visuais, quando recebe iluminação semelhante àquela do laser
inicial. Devemos a invenção da Holografia a Dennis Gabor, físico húngaro que no ano de 1947 iniciou o desenvolvimento da teoria
holográfica ao pesquisar o uso do microscópio eletrônico e obter um primeiro holograma, muito imperfeito, pois somente nos
anos 60 aparecem as fontes de luz Laser, essenciais para o processo holográfico.
A luz do laser difere de todas as outras fontes de luz, artificiais ou naturais, de um modo radical, em que todas
os fótons têm o mesma freqüência e viajam à mesma velocidade, exatamente sincronizadas, sendo pôr isso chamada luz
coerente. Todas as outras fontes de luz geram uma propagação desordenada dos fótons, o que forma ondas defasadas e
assíncronas, enquanto que no Laser todas as ondas estão em fase, ordenadas temporal e espacialmente. Luz é radiação
eletromagnética -incluída a porção muito pequena que nós chamamos luz visível- que viaja como ondas, e à
velocidade de 300.000 Km/s, no vácuo. Ondas de luz, como os passos dos homens, oscilam em diferentes ritmos,
ou seja com um certo comprimento de onda, que é a distância, em metros, de uma crista da onda para a próxima
crista, o que denominamos um ciclo. A quantidade de ciclos por segundo é a freqüência da onda. Assim, menor o
comprimento de onda, mais alta a freqüência e vice-versa. Comprimentos de onda de luz visível estão entre 400 e
700 nanômetros( bilionésimos de um metro). O holograma é constituído portanto de uma rede extremamente fina de
áreas claras e escuras, chamadas franjas,criadas pela combinação de ondas de luz visível, ou mesmo invisível
como os raios-X.
Uma prova simples da teoria de interferência entre ondas de luz foi demonstrada por um inglês, Thomas Young, em 1802.
Ele forçou a luz de uma única fonte direcional a atravessar duas fendas bem estreitas colocadas a uma distância de
uma fração de polegada. A luz das duas fendas foi projetada em uma tela, e surpreendentemente ele viu que não
sobressaia a acumulação simples da luz de ambas as fendas na tela, mas um padrão formado por linhas claras e
escuras. Ele observou que o padrão era o resultado da mistura das ondas de luz que emanavam das respectivas
fendas, da interação entre elas. As linhas ou " franjas" que Young viu, formam o padrão de interferência das
duas ondas de luz. Quando uma crista (máximo) da onda 1 interfere com uma crista da onda 2 o resultado é a
interferência positiva, ou construtiva, e resulta em uma mancha luminosa. Por outro lado, quando uma crista
encontra um vale (mínimo) nós temos uma área escura ou interferência destrutiva.
No holograma, onde fica registrada a combinação das ondas- a da fonte laser e a refletida pelo objeto - pode-se
recuperar a imagem do objeto ao se iluminar o padrão do mesmo ângulo em que foi gravado, com uma luz coerente
(ou semi-coerente) que então torna visível aquela segunda componente, referente ao objeto, que mostra a sua
configuração espacial, sua aparência, projetando-a no espaço. De acordo com a forma como a luz atinge o filme e
o objeto podemos criar diferentes tipos de imagens holográficas, com qualidades e aplicações bem distintas.
Os principais tipos de hologramas são:
Hologramas de Transmissão - são feitos com dois ou mais feixes de luz que atingem o filme
pelo mesmo lado e são visíveis apenas com a luz do Laser. Produzem imagens muito fiéis e é possível também o registro correto
das cores com o uso de Laser apropriado.
Hologramas de Reflexão - os feixes de luz atingem o filme pôr lados opostos, e a imagem
pode ser reconstruída com iluminação não coerente mas concentrada, como a do Sol ou de uma lanterna.
Hologramas Multiplex - de acordo com o ângulo de incidência da luz evidencia imagens
diferentes. Podem ser registradas muitas figuras em seqüência e permite um certo grau de animação holográfica.
Os hologramas Arco-Íris, ou de Benton, são deste tipo também , embora com apenas uma figura, e mostram cores diferentes ao
se variar o ângulo de iluminação. Hologramas de Imagem Real - são hologramas de
reflexão produzidos a partir de hologramas de transmissão e mostram imagens em frente a o filme incrivelmente realistas e
precisas. Hologramas Impressos - feitos pôr pressão em materiais como mylar
aluminizado,e fotossensibilizados em dicromatos e polímeros, são utilizados comercialmente em aplicações de segurança,
embalagem, propaganda e várias outras.
No final do século XX vemos a Holografia sendo utilizada em inúmeras atividades
humanas ,não somente restritas à Ciência e à Arte, como acontecia nos anos 80, quando a Técnica Holográfica já cumpria os
trinta anos de desenvolvimento. Atualmente encontramos a Holografia aplicada nas áreas de Arte, Segurança, Equipamentos
Óticos, Interferometria, Reconhecimento de padrões, Medicina, Memórias de computador, Sistemas de Radar, Microscopia
Eletrônica e em muitas outras a Holografia começa a ocupar espaços.
A Teoria Holográfica também serviu de base para o desenvolvimento de um novo paradigma filosófico que propõe uma
constituição holográfica para o Universo, onde todas as partes estão interconectadas e onde a própria matéria é
encarada como a realização de um padrão de interação energética, congelado como substância palpável. Muitas
inferências e analogias com o mundo físico levam cientistas de variadas especialidades a aplicar e validar
importantes aspectos do chamado o Paradigma Holográfico.
Embora muitas das promessas da Holografia ainda não tenham se cumprido, como o cinema tridimensional por exemplo,
estamos certos de que adquirir este conhecimento foi um dos passos mais relevantes da história recente da Ciência,
e que veremos nos próximos anos uma grande revolução tecnológica, visual e conceitual, originada desta incrível
percepção de que a Luz, ao dividir-se, multiplica-se e ao iluminar é capaz de recriar o espaço.
Para uma explanação mais completa e com ilustrações consulte a dissertação de Mestrado em
Holotrônica, ou a página dedicada à Holografia do
Instituto de Física "Gleb Wataghin" .
E não deixe de visitar os excelentes museus virtuais, com muitos exemplos de Hologramas, em
Links, uma coletânea de sites sobre Holografia, no Brasil e no mundo.
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