INTRODUÇÃO
O cinema combina tempo e espaço para obter um ritmo narrativo audiovisual,
combinando seqüências de imagens, cada uma delas apresentando, em um fragmento do filme,
uma composição plástica que represente, em duas dimensões, um mundo tridimensional.
O
é a menor unidade de expressão cinematográfica e, como uma fotografia,
apresenta elementos de composição, escala, contrastes de luz, combinações de cor
e distribuição de pessoas e objetos.
A seqüência de fotogramas e a forma como se relacionam determina o grau de realismo na
representação do movimento. Quando a filmagem é realizada simultaneamente ao evento
filmado, em tempo real portanto, temos correspondência exata entre o
tempo natural e sua representação, mas isso raramente acontece. Mais
freqüentemente o tempo natural, da projeção, não coincide com o tempo
narrativo, e o filme então pode adquirir um significado mais subjetivo e
assim dilatar ou contrair o tempo e como é percebido no filme. A
percepção do tempo determina o ritmo narrativo: em cenas de
movimento o ritmo se acelera, em cenas tranqüilas ele se alonga, e pode
até nos dar a sensação de estar parado.
O ritmo narrativo é o campo de trabalho do roteirista,
e onde se desenvolve o processo que transforma uma idéia em produto
audiovisual. Um Roteiro é a receita que permite esta transformação e,
como qualquer receita, deve ser seguido corretamente para produzir
bons resultados. A realização de um filme é uma atividade complexa, que
pode envolver muitas pessoas e materiais, exigindo um preciso
planejamento e muita organização na produção. A base dessa
organização é o Roteiro, e é por ele que um filme começa a existir.
Veja outras informações nestes sites:
Página de roteiristas
O espaço para o roteirista
O roteiro de cinema
Criação do Roteiro
Um roteiro pode ser escrito de muitas formas, e existem certos estilos ou regionalismos que levam a diferentes graus de detalhamento e descrição das cenas e dos movimentos da câmera. São muitas as variantes, mas conhecemos bem um certo tipo de produção: a que acontece na costa oeste dos EUA.
A maioria dos filmes hollywoodianos fazem parte do "Cinema Clássico Narrativo",
e seus roteiros são construídos sobre regras e fórmulas como estas:.
1. O filme deve ter Início, Meio e Fim bem definidos.
2. Uma situação estável é abalada por um acontecimento chave, o que precipita a busca pelo retorno à estabilidade.
3. Os personagens devem causar empatia e identificação no espectador.
4. A trilha sonora é elaborada para provocar emoções precisas no espectador.
5. O espectador não deve perceber que há uma câmera entre ele e a cena. Os cortes são suaves e feitos no ritmo da música.
6. A estrutura básica é do tipo:
INTRODUÇÃO | PLOT POINT 1 | DESENVOLVIMENTO | PLOT POINT 2 | CONCLUSÃO
-o primeiro plot point é o acontecimento chave, algo inesperado, que desestabiliza a situação normal
-e o segundo, outro evento crucial que também é o clímax do filme, e a preparação para o final.
7. A introdução não deve durar mais que 30 minutos.
8. O desenvolvimento é a busca de soluções para o problema, um longo percurso de aventuras.
9. A conclusão do filme é a resolução dos conflitos com um final em geral surpreendente, muitas vezes com fundo moral, e
quase sempre feliz.
Leia também este pequeno guia sobre
como formatar o seu roteiro.
1. Definir
objetivos:
>> TRANSFORMAÇÃO da audiência
Avaliação da transformação (o que vão fazer agora? )
2.
Pensar Audio-visualmente:
PLANEJAR:
>> VISUAL >quadro e luz
>> SOM >ruídos, diálogos, música, narração.
3. ROTEIRO
COMPLETO
IDÉIA
>> função: educação, registro, diversão, lucro etc.
>> original ou adaptação.
SINOPSE TÉCNICA
>> Conteúdo ( dramático, jornalístico etc.).
>> Especificações Técnicas especiais.
>> Distribuição, se for restrita.
ARGUMENTO
>> história completa, o tema e a trama.
>> visão global e prática, sem diálogos.
ROTEIRO
>> Ação, descrição dos personagens, locais e tempos
>> diálogos prontos, trilha de som
>> divisão em SEQÜÊNCIAS
>> EXTERIOR / INTERIOR
>> DIA / NOITE
>> LOCAÇÃO
ROTEIRO DECUPADO
>> inclui indicações técnicas relativas ao uso das câmeras, da luz, de
recursos mecânicos, dos efeitos especiais e do som.
>> divisão das seqüências em PLANOS, entendido como
intervalo de tempo entre o ligar e desligar da câmera
STORY-BOARD
>> Representação visual da decupagem, como em HQ.
ANEXOS
>> biografia de personagens, contextualização, justificativa, cartas,
desenhos, mapas, etc.
Veja este resumo do
mnemocine.
Estrutura e conteúdo
GÊNEROS
A classificação dos filmes em categorias
que diferenciam estilos, preferências, objetivos, público e mercado
ENREDO
Um filme conta histórias e, por mais abstrata,
surreal ou documental que seja, tem sempre uma estrutura linear e seqüencial.
ATOS
A concepção do encaminhamento das
histórias como atos, permite o desenvolvimento de estruturas complexas,
ricas de variantes e histórias paralelas e secundárias.
RESOLUÇÃO
A finalização das histórias, o ato
final é, em muitos filmes a etapa mais importante, em que se define uma
mensagem, completa-se uma informação ou fixa-se um aprendizado.
Programas para criação de roteiros:
[Celtx]
Story board
A etapa final da preparação do roteiro completo antes da gravação ou
filmagem, é a construção de um guia visual de tudo o que será produzido. Como em uma HQ, o storyboard deve revelar todos os
enquadramentos e movimentos de câmera, de forma que o filme possa ser facilmente previsualizado. O nível de sofisticação na
elaboração do story board pode chegar até à recriação digital em 3D de todo um filme, como aconteceu em StarGate,
o que tornou
muito rápida a realização no set de filmagem.
Leia mais sobre o story-board, e faça o download de modelos do DECINE.
Abaixo, além de um típico storyboard, você vê exemplos de quadros de
O Senhor dos Anéis e de Titanic.
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