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Curso
FOTOGRAFIA BÁSICA
Professor Juliano Serra

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       Tema.1- Introdução


O QUE É FOTOGRAFIA       
   Afinal, o que é fotografia? A possibilidade de parar o tempo, retendo para sempre uma imagem que jamais se repetirá? Um processo capaz de gravar e reproduzir com perfeição imagens de tudo que nos cerca? Um documento histórico , prova irrefutável de uma verdade qualquer? Ou a possibilidade mágica de preservar a fisionomia, o jeito e mesmo um pouquinho da alma de alguém de quem gostamos? Ou apenas uma ilusão de ótica que engana nossos olhos e nosso cérebro com uma porção de manchas sobre o papel deixando uma sensação tão viva de que estamos diante da própria realidade retratada? Ou ainda o prodígio que nos mostra a face oculta da lua; o momento exato em que o espermatozóide fecunda o óvulo; a bala de revólver que acaba de cortar ao meio a carta de baralho; a complicada estrutura de uma bactéria ou nuvens de estrelas tão distantes que não podemos suspeitar?   

Fotografia  é um meio de comunicação, uma eficaz e ágil maneira de interligar o passado o presente, de guardar e contar histórias de todos os tipos para todos os gostos. A fotografia serve a varias intenções, que podemos didaticamente dividir em:       
INFORMAÇÃO As fotos dos jornais e revistas, dos livros didáticos e científicos, tem por objetivo a documentação e transmissão da informação visual.       
PROPAGANDA A foto de publicidade e propagandas política, dos produtos industriais e da moda, a que pretende valorizar e tornar desejável seu objeto.       
CIÊNCIA A fotografia é superior em muitos aspectos ao olho humano, consegue ver com mais detalhe e sob diversos tipos de luz. Aplicada à ciência exige precisão técnica e confiabilidade, utilizando equipamentos sofisticados e caros.       
DOCUMENTAÇÃO Uma forma barata de preservar e documentar, sendo assim usada em catálogos, identificação pessoal, microfilmagem, etc.       
DIVERSÃO Nas mãos de milhões de amadores uma fonte inesgotável de prazer em fotos de viagens, da família e dos amigos.       
EXPRESSÃO PESSOAL Em galerias de arte e em livros e revistas pode-se observar a poesia e sensibilidade de fotografias que transmitem idéias, sentimentos e concepções pessoais do mundo.

É claro que essas categorias freqüentemente se associam e se sobrepõem mas, para quem começa a ter contato com a fotografia é importante compreende-las e poder responder algumas questões fundamentais, ainda que as respostas mudem com o tempo.

             PORQUE FOTOGRAFAR?    



1. Podemos ter a fotografia como HOBBY e, nesse caso chamamos de amador ao fotógrafo. Este é aquele que ama o que faz e logo quer ter bons resultados e até um público. Para isso conta-se com a vantagem de não se ter patrão, pode-se fazer o que se quer. Mas, especialmente no Brasil, o material é caro e é cada vez mais difícil desvincular fotografia de comércio.
2. Pode acontecer também de se encarar a fotografia como PROFISSÃO e então abre-se um leque enorme de possibilidades:         O trabalho do Fotojornalista em jornais e revistas como Istoé, Manchete, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e muitos outros, é muito dinâmico e com grandes equipes,  mas a admissão é bastante difícil. Como free-lancer fica-se ao sabor das águas e dos preços dos materiais e equipamentos. Outra opção é juntar-se uma agência como a Gamma; ou a Photoagencia. Para trabalhar com Moda e Publicidade, é imprescindível possuir um estúdio com modernos e potentes flashes e câmeras sofisticadas.Veja o site de Bob Wolfenson e de Tony Generico para ter uma idéia geral, e examine o guia da Abrafoto .
Pode-se também explorar alguns áreas muito pouco desenvolvidas no Brasil, como a fotografia de Arquitetura ou de Medicina,Aérea, Subaquáticae etc.
De qualquer forma o melhor sempre é começar já, e ganhar respeito e confiança com um trabalho eficiente, rápido e consistente.
3. Como AUXILIAR DE OUTROS TRABALHOS a fotografia é extremamente útil. Sendo Geógrafo, Dentista, Antropólogo ou em qualquer outra profissão o mais importante é dar total atenção aos aspectos técnicos para que os resultados sejam coerentes com as demandas visuais daquela atividade. Cada necessidade exige métodos e equipamentos diferenciados e a melhor adaptação aos objetivos primários é que vai determinar a qualidade do trabalho final.
4. Para utilizar esta linguagem visual como meio de expressão PESSOAL é preciso considerar a fotografia e seus desenvolvimentos, como um universo de símbolos universais e específicos, em que se pode comunicar qualquer sentimento ou idéia, para homens e mesmo animais. As técnicas se multiplicam a serviço da sensibilidade e da intuição, sempre se guardando, é claro, que somente a compreensão da cor, da perspectiva , das formas e das relações entre o claro e o escuro é que vai permitir uma criatividade livre pois necessariamente FOTOGRAFIA É LUZ

         

          O QUE FOTOGRAFAR?  

   É uma pergunta básica.Não dá pra sair por aí esperando que A foto aconteça. É; preciso desejar algo, ter vontade de transmitir alguma coisa. É necessário, enfim, saber o que INTERESSA e trabalhar a partir daí. Fotografar é selecionar fatias de tempo e espaço, e só uma boa escolha pode produzir boa comunicação, capaz de informar, divertir, emocionar, revelar ou guardar trechos particulares da vida e do mundo. Podemos até sair sem rumo com uma câmera na mão ( é ótimo ), mas é preciso que algo nos desperte a emoção e o interesse por guardar uma imagem, congelando nossa experiência daquele momento.
        Veja o que pensa um dos maiores fotógrafos do séc. XX, Henri Cartier-Bresson :
    "A máquina fotográfica é para mim um caderno de esboços, um Instrumento da intuição e da espontaneidade, a mestra do instante que, em termos visuais, ao mesmo tempo questiona e decide. Para expressar o mundo, precisamos nos sentir parte daquilo que enquadramos no visor. Esta atitude exige concentração, disciplina mental, sensibilidade e senso geométrico. É por uma grande economia de meios que se chega à simplicidade de expressão. Deve-se sempre fotografar com o maior respeito pelo tema e por si mesmo. Fotografar é reter a respiração quando todas as nossas faculdades se conjugam diante da realidade fugaz; é nesse momento que a captura da imagem nos traz grande prazer físico e intelectual. Fotografar é reconhecer simultaneamente e numa fração de segundo o próprio fato e a rigorosa organização de formas percebidas visualmente que lhe emprestam mesma linha de significado. E colocar a cabeça, o olho e o coração na mesma linha. Naquilo que me diz respeito, fotografar é um meio de compreender que não pode ser separado dos outros meios de expressão visual. É; uma forma de gritar, de se libertar não de provar ou de afirmar a própria originalidade. É; um modo de viver." HC-Bresson

              COMO FOTOGRAFAR?  


     Esta pergunta envolve todo um conhecimento das técnicas e dos materiais da fotografia, mas que é muito acessível, em milhares de publicações e mesmo on-line, facilitando muito uma formação auto didática. Mas a qualidade, é claro  vem com a prática e o aprendizado contínuo . No Brasil temos apenas um curso de graduação em Fotografia, do Senac, em São Paulo, que tem diversas habilitações.
     Na escolha do equipamento certo está parte da garantia de um bom trabalho. Mas, além dessa seleção de materiais e métodos, deve-se também escolher entre duas possibilidades de se encarar a atividade do fotógrafo:        Pode-se ter uma ATITUDE OBJETIVA frente a fatos e objetos que eu fotografar. Neste caso é importante a clareza e precisão da Imagem e sua interpretação está nas mãos de quem vai ver a fotografia e não na de quem as fez.
Por outro lado, uma ATITUDE SUBJETIVA no momento de fotografar deixa para o fotógrafo  a expressão de sua personalidade, a marca de suas reações ao que ele viu. Aqui a imaginação e intuição são fundamentais, e a forma de representação é muitas vezes mais eloqüente do que o próprio objeto fotografado.
Agora, tendo aprendido um pouco mais sobre a Fotografia, atenção para o mundo visual, ....       pegue a câmera e FOTOGRAFE !  

História da Imagem Fotográfica

Nièpce

A primeira foto não fez " click ! " e aconteceu em 1827, na varanda da casa de Nicephore Niépce. Foram necessárias oito horas para que se formasse a imagem da paisagem em uma chapa de metal coberta de betume. O Sol aparece como um rastro de luz entre pouco mais que sombras de telhados. Esta foto tornou-se um símbolo do processo que, apresentado ê Academia de Ciências da França doze anos mais tarde, espalhou-se pelo mundo registrando imagens de lugares, pessoas, idéias e descobertas. Com o filme fotográfico surge um novo universo de possibilidades visuais e uma nova forma da comunicação.
Veja aqui uma camera obscura e como nasceu a Câmera Fotográfica moderna.

A paisagem foi o primeiro tema exaustivamente explorado pelos fotógrafos da segunda metade do século passado. Era quase um milagre poder ver no seu escritório de Paris ou Recife, imagens da China, do Egito ou da Antarctica. Expedições fotográficas foram organizadas para que ricos europeus pudessem ver os Alpes, o índio americano e mesmo uma guerra na Criméa, que aparentemente ainda não terminou. A qualidade das imagens produzidas nas primeiras décadas ainda hoje nos impressiona e inspira, evidenciando o poder de sedução da imagem fotográfica.

Eram desbravadores estes fotógrafos, e lutaram com uma enorme e pesada parafernália de câmeras, lentes e laboratório, materiais pouco sensíveis e muito caros. Alguns viajavam em carroças o outros levavam tudo nas costas e armavam tendas para trabalhar. Leia um pouco mais sobre os antigos processos fotográficos  e como são utilizados hoje em dia. Já em 1840 a Fotografia chegava ao Brasil, embora o processo já houvera sido descoberto também em Campinas, SP por Hercule Florence. 

Veja também este artigo do Prof. Enio Leite História da Fotografia no Brasil.

Enquanto isso explorava-se na Europa outra possibilidade da Fotografia. Alguns pintores estavam utilizando as chapa de vidro ou de metal como auxiliar do desenho e do retrato, e tão bem se deu a Fotografia nessa área que passou de auxiliar a substituta dos retratos feitos à mão.

Surgiram milhares de estúdios fotográficos em todas as cidades. Tornou-se moda possuir cartões de visita com retratos. Em Paris, o estúdio do Nadar foi um ponte de encontro de intelectuais e artistas como Monet, Baudelaire, Liszt, Sarah Barnhardt e muitos outros dos quais Nadar deixou grandes retratos. Foi ele também que registrou a primeira entrevista fotográfica,com o cientista da visão M. Chevreul.

Mas o retrato,foi realmente encarada como arte por uma inglesa, Julia Margareth Cameron. Ela pretendia , mais do que o rosto, captar a alma do retratado, e o conseguiu em muitas casos. Seus retratos mais famosos incluem o do poeta Longfellow e a clássica imagem de Darwin.

Arte também era a preocupação de homens como Rejlander e Emerson, que forçaram um retorno da fotografia aos temas e métodos da Pintura. Quanto mais próximo estivesse a imagem de um desenho ou gravura, mais 'artístico' seria o resultado. Um movimento que afinal degradava as possibilidades únicas da imagem fotográfica. Foi o Pictorialismo, cujas idéias dominaram a produção da Europa entre 1890 e 1920, e que até hoje permanecem entre os Fotoclubes.

Para alguns europeus, fora da Europa a fotografia não era mais do que um artesanato, uma técnica mágica mas desprovida de 'Arte'. Nos Estados Unidos, porém, um fotógrafo alemão vai mudar esta visão. Alfred Stieglitz chega a Nova York propondo idéias novas e a valorização da fotografia direta, sem truque, retoques e montagens. Logo edita uma revista, Câmera World, monta uma galeria, e divulga, além de belíssimas fotografias, trabalhos de Cezanne, Matisse, Picasso e outros artistas de vanguarda. Para ele a fotografia era mais um dos meios de expressão à disposição dos artistas.

A partir dos anos 20 muitos que acreditam na força desse meio de expressão produziram imagens fundamentais para a compreensão que temos do mundo moderno. Lewis Hine, nos EUA e August Sander, na Alemanha, fazem um extenso trabalho de documentação dos povos. Paul Strand cria imagens abstratas e geométricas a partir de construções de ferro e concreto, Moholy-Nagy, da Bauhaus, e Man Ray, do grupo Dada, experimentam grafismos e técnicas de laboratório.
André Kertész e Angus McBean fazem fotos distorcidas e surreais.
Edward Weston e Ansel Adams fotografam a natureza e trazem à tona texturas e relevos impressionantes.
É também durante os anos vinte que surge a Leica, uma câmera pequena, ágil e precisa que vai iniciar uma completa difusão da fotografia no Mundo. Ela permite que o fotógrafo esteja presente em todos os momentos da História. Em 1936 foi lançada a revista LIFE, totalmente dedicada ao fotojornalismo e a partir daí fotografias inundam os jornais e revista do globo. Fotógrafos como Robert Capa, Cartier-Bresson, Einsenstadt, Dorothea Lange, Eugene Smith e muitos outros tornaram possível participar de guerras, descobertas e viagens, observar paisagens e animais estranhos, sentir a violência da bomba atômica e ver o pouso dos astronautas na Lua. São milhares de imagens e homens que marcaram a visão do mundo que temos hoje.

Ao lado dessa preocupação eminentemente social do fotojornalista desenvolve-se também a fotografia de estúdio, voltada principalmente para os caminhos da publicidade. Fotografa-se a moda e a indústria. Fazem-se propaganda de automóveis, relógios, máquinas e políticos. 0 equipamento sofistica-se e o fotógrafo torna-se um excepcional técnico da luz artificial. Richard Avedon, David Baílay, Peter Tuner e Irving Penn são nomes de um estilo que se desenvolve especialmente nos Estados Unidos.

No outro extremo alguns fotógrafos realizam um trabalho pessoal mas carregados de sensibilidade universal. Diane Arbus, antes fotógrafa de moda, documenta os 'perdidos' da sociedade com incrível audácia e sentimento, Ernest Haas cria imagens abstratas em cores a partir de paisagens desoladas. São pessoas que veem a fotografia como um poderoso meio de expressão de suas personalidades.

Mas a fotografia está nas mãos de milhões de fotógrafos e grupos de amadores, que querem dela a mágica da recordação de um instante, de seus parentes e amigos, dos lugares e pessoas novas. Desde o lançamento da Kodak, em 1888, cada vez mais gente tem à sua disposição este meio rápido e seguro de guardar imagens.

Hoje em dia a fotografia ganhou aplicações específicas e, em ciências ou na moda, na sua carteira de identidade ou no álbum de família, nos jornais e na televisão, no fundo do mar ou no espaço, ela ocupa, sem exagero, lugar em quase todas as atividades do homem.

Veja aqui uma boa bibliografia sobre a História da Fotografia.



O Processo Ótico/Químico/Digital

   A Fotografia é possível pela combinação de dois processos , um ótico que permite a formação da imagem pela projeção da luz, e um método de fixação dessa imagem, que pode ser químico, em geral a partir de compostos de prata, ou digital utilizando silício e bits.  A passagem da luz através de furos muito pequenos é capaz de formar imagens nítidas ( por efeito da difração dos raios luminosos ) e isso já era conhecido desde a antiguidade grega. Mas é a invenção das lentes refrativas é que vai precipitar o reaparecimento da camera obscura no início do Renascimento europeu, modificando e contribuindo enormemente para a evolução das arte visuais. A compreensão da Perspectiva e da representação realista passa a ser definida pelas lentes usadas em vários tipos de dispositivos óticos, que permitiam uma cópia muito fiel da realidade, mesmo feita por artistas de segunda linha.Confira isto neste artigo do Cromostudio
old cam     Câmera    stereostereo Daguereótipo estéreoscópico

Somente no início do séc XVIII é que será realizada a pesquisa de materiais fotossensíveis e da forma de fixar uma imagem produzida pela camera obscura. As experiências envolviam materiais de toda espécie,  que se transformam pela ação da luz, sendo finalmente desenvolvidos  filmes a partir de sais de prata, com processamento químico em duas fases, revelação - transformação dos sais em prata metálica - e fixagem - eliminação dos cristais não sensibilizados pela luz.  O processo da Daguerreotipia foi o que mais alcançou sucesso  em todo o mundo, e ainda é, com alterações, como utilizamos atualmente o processo fotográfico.

sony digital sinar Leica R8

Com  o advento da eletrônica porém, este processo foi substituído por um dispositivo que controla elétrons pela ação da luz e os armazena em memórias de computador, criando imagens em tela ou impressas, com qualidade semelhante ao processo químico. Com a Fotografia Digital as imagens podem ser obtidas instantaneamente e em diversas mídias, além de poderem ser transmitidas até do espaço sideral. Trata-se de uma nova revolução, que permitirá a aplicação ainda mais universal do processo fotográfico.


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